domingo, 26 de dezembro de 2010

Segundo e terceiro dias


No final, acabei indo até um restaurante com os brasileiros para comemorar o Natal, apesar de estar muito cansado. Era um restaurante variado, que tinha desde pizza até sushis, acabei optando pelo primeiro e dividindo com o Glauber. Era uma pizza de margherita, mas não estava boa, porque não tinha muito sabor. Depois voltei para o hotel e hibernei, acordando só a uma da tarde, pouco antes de ir pra uma apresentação que teria na sede da Aiesec. Ainda não entendi muito bem qual é a universidade em que eu fui, porque não estou entendendo bem o alfabeto ainda, mas acho que logo vou estar bom nisso. Fui com os outros brasileiros que estavam morando no mesmo lugar que eu, pois não tinha a menor ideia de como ir sozinho. A maioria deles é bastante inexperiente em viagens e contatos culturais e está ficando bastante juntos o tempo todo, o que eu não acho interessante. Mas apesar disso, tenho andado junto com eles, porque tenho precisado de ajuda. A apresentação foi longa, porém interessante. Os russos (na verdade as russas, porque a grande maioria das pessoas que conheci são meninas) estão sendo bastante simpáticos e acolhedores. Primeiro foi uma integração, com algumas brincadeiras para que as pessoas se conhecessem melhor. Depois uma dinâmica sobre os principais problemas que podem acontecer por aqui e suas soluções. Foi bom porque deu pra entender a quem recorrer em relação a diversos assuntos. Depois disso teve uma conversa sobre o projeto na qual vou trabalhar. Vou começar o trabalho mesmo só lá pro dia 10 de janeiro, mas enquanto isso tenho que ir preparando algumas coisas e ir aprendendo outras. Na terça feira vou visitar a escola onde vou trabalhar para conhecer um pouco mais dela. Não tem muita gente no meu projeto ainda, mas parece que tem outras pessoas vindo. Por fim, teve uma breve apresentação sobre a Rússia e São Petersburgo.
Terminadas as apresentações, começou uma pequena festa de integração, com direito a brigadeiro (que os brasileiros chamam de negrinhos, talvez por ser a maioria do sul) e paçoca. Tiveram também algumas atividades de integração e uma apresentação sobre o Brasil, que eu achei bem fraca, pois passaram uma visão muito superficial sobre o país. Eu teria feito diferente, mas não posso falar muito porque eu não preparei nenhuma apresentação. Tive a oportunidade de conversar com bastantes pessoas e tirar bastantes fotos, o que foi bem interessante. Saindo de lá, fui coagido a ir pra uma balada com os outros, apesar de não estar muito a fim disso. Não gosto muito de baladas no Brasil, mas queria saber como seria uma festa na Rússia e não me arrependi, mesmo que tive que ficar até quase as 6 da manhã, quando o metro abre. A balada que eu fui é completamente diferente de todas que já fui no Brasil, sendo muito bem decorada e muito divertida. Eram dois ambientes, um com mesas e bom para conversar e beber e uma pista de dança, onde a música não era tão alta como no Brasil e diferente, porque tocava um tipo de black music em russo, além de outros tipos de música (até a banda brasileira Cansei de Ser Sexy). Ao todo, contando intercambistas e russos conhecidos eramos em mais ou menos 15, o que foi bastante bom, porque deu pra conversar com diversas pessoas. O sotaque russo é bem fácil de entender e fiquei bastante tempo na parte mais silenciosa. Na parte da pista tinha uma mesa de pebolim, na qual dava pra jogar, além de um balanço. Gostei bastante apesar da minha aversão inicial. Não preciso dizer, que voltei muito tarde e dormi bastante de novo. Desse jeito vou continuar vivendo em horário brasileiro e não me adaptar ao horário russo.
Acordei por volta do meio dia e fui tomar meu café da manhã na cozinha/sala do hostel onde estou hospedado. Vale fazer um parêntesis sobre o hostel. Ele está localizado bem no centro da cidade, perto de uma avenida principal, que não sei bem o nome, mas tem a ver com Nevski. Saindo dessa avenida, temos que entrar numa rua que parece estar em reforma, mas também está cheia de neve, por isso, são poucos os lugares onde os carros podem passar. Deve ser uma rua meio chique porque tem lojas da Louis Vitton e da Dior, que está localizada bem onde entramos num beco para chegar no hostel. O hostel fica no quinto andar, por isso tive uma certa dificuldade de chegar lá no primeiro dia com as bagagens. Tem duas senhoras que trabalham lá, mas não sei se são as donas, uma fala inglês e a outra francês. Ainda bem que eu entendo um pouco dessa segunda língua, porque senão a comunicação seria um pouco difícil. Estou num quarto sozinho, que é um pouco frio, mas não muito. Deu pra dormir bem nas duas primeiras noites. Esse quarto é numa porta diferente do hostel, mas no mesmo prédio e mesmo andar, o que faz com que toda vez eu tenha que tocar a campainha, quando tenha que ir no banheiro, por exemplo. Vamos ver se vou me mudar amanhã, como me disseram. No hostel tem vários brasileiros, dois homens, Glauber e Lucas e várias garotas, que acho que não sei o nome de todas. Há também o indonésio que se chama Bagas e é uma figura, com quem fui comer no Subway ontem antes de ir pra festa, além de um indiano e um sérvio. Na rua do hostel tem alguns pubs também, como esse em que estou agora e que é bem legal, porque eles tocam musicas boas, como Franz Ferdinand, e o borsch que acabei de comer estava muito bom. A internet não está funcionando direito, por isso não sei se vou conseguir publicar isso e o relato anterior. É bom ficar sozinho um pouco também...
Já que comecei a fazer parêntesis, vou falar um pouco sobre o clima. É bastante frio mesmo, estando em média -10. Essa temperatura não é um grande problema, já que as roupas que eu tenho, como a bota e o casaco que comprei em New York protegem bem. O problema é o vento que trás rajadas de neve bem frias, que doem em contato com o rosto. Mas apesar disso, não me incomodo muito com isso, pois foi uma escolha minha e estava preparado pra isso. Não reclamo como os outros brasileiros fazem e não saem de ambientes fechados. Sobre a vodka russa, ela é bastante boa mesmo, ontem na festa tomei alguns shots, mas eles não são tão fortes como no Brasil, sendo bastante suaves e mesmo saborosos, mesmo sendo a mais barata que eles tinham. Quanto ao nível de preços, para mim, por enquanto acho que é exatamente o mesmo do Brasil. Tomando como base o Subway, por exemplo, gastei num sanduiche grande e um refrigerante cerca de 300 rublos que é o equivalente a mais ou menos 15 reais, o que é o mesmo que custaria no Brasil. A entrada da balada custou 130 rublos, o que é mais barato que no Brasil, pela qualidade do local em que fui.
Bom, voltando ao relato de hoje. Quando acordei, por volta do meio dia, estavam todos dormindo, com exceção do indonésio e de uma brasileira. Tomei meu café da manha, composto por chá e um tipo de mingau que a russa que me ajudou no supermercado que aconselhou a provar e que foi aprovado. Os planos para hoje eram ir para a pista de patinação no gelo, mas isso só seria as 6 horas, então decidi caminhar pela cidade, algo que não tinha feito ainda. Fui até a Spill Blood Catedral (catedral do sangue derramado), que fica a cerca de 3 quadras do hostel e caminhei por essa avenida principal. Uma brasileira, Tainá e o indonésio me acompanharam, nessa caminhada de cerca de duas horas, que terminou com uma parada num café, onde comi um tipo de folhado de nozes que estava bastante bom apesar de um pouco doce, combinando com meu cappuccino, que tomei sem açúcar. Tirei algumas fotos da cidade, mas ainda falta muito pra visitar. Amanhã acho que tenho que fazer o registro da minha estadia aqui, mas provavelmente vou ter tempo de ir em algum lugar mais. Estou com muita vontade de ir ao teatro assistir a um concerto, um ballet ou uma ópera, mas a programação mais interessante será na semana depois do ano novo. Eles tem duas festas de ano novo aqui, além do Natal, que é no dia 7 de janeiro. O novo ano novo é no dia 31 de dezembro, enquanto que o velho ano novo é no dia 13 de janeiro. Tem a ver com o calendário gregoriano. O metro aqui é bem bonito, com diversas arcadas e painéis, aos quais não se pode tirar fotos com flash, por se tratar de uma zona militar. Vai entender a lógica disso...
Bom, depois da caminhada e do café voltamos para o hostel, mas no caminho encontramos os brasileiros que estavam indo pro ice-skating. Assim, fomos direto com eles para o metro e para o local onde encontraríamos alguns russos que nos levariam até a pista de patinação. A estação era um pouco longe e depois tivemos ainda que andar um pouco até o local. Não entendi muito bem o que era, mas parecia um clube público, onde as pessoas pagam uma taxa para entrar e depois podem usar das outras coisas que tem lá. Parecem ter vários lagos, mas que agora estão congelados, de modo que as pessoas vão lá pra patinar no gelo ou esquiar, com aqueles esquis do estilo de esqui nórdico. Preferia o esqui, porque com os patins quase não consegui ficar em pé, mas acho que se for mais algumas vezes, logo pego o jeito. De qualquer modo foi só uma hora que passou bem rápido, com muitos tombos, mas sem nenhum machucado. A menina que russa, que descobri que estuda sociologia também, patinava muito bem, sabendo fazer uns giros muito divertidos. Depois de lá, voltei para o hostel, só para pegar o meu computador e vir para o pub que eu achei interessante por fora e comprovei por dentro. Estou terminando de comer meu frango que eu pedi e depois volto pro hostel, sem antes tentar um pouco mais publicar algumas fotos...

5 comentários:

  1. Oi Du,
    Com as suas descrições , parece que estamos aí tbem. Que bom ter encontrado brasileiros , não? Aqui o calor continua , mas intercalado com pancadas de chuvas . Seu pai e seus irmãos já foram pra Mogi, e a tia Lena e a bá To , foram pra S.Paulo , onde iremos passar o Ano Novo. Continuamos torcendo por vc ...
    Beijos ,
    Tia Mi

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  2. Oi Du!!
    Muito frio por ai??
    Pelo jeito a adaptação esta sendo bem facil!!

    Beijos,
    Yuri

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  3. xDDD Que legal as suas historias!! Gostei muito de ler. Eh muito legal eu conhecer um pouquinho a Russia, pq da pra ter bem uma nocao do que vc ta falando. A catedral eh linda nao eh?? Eu nao entrei, mas deve ser super legal tb. E tem mtas lojas chiques tb neh? isso eh a russia moderna neh? xDDD Na revista do aviao tinha uma reportagem sobre a russia, fiquei lendo e me divertindo!!

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  4. O natal foi muito bom e chegamos em Campinas por volta de 18 horas onde iniciamos a orgia gastronômica. Começamos com salgadinhos do Almanara e Pata Negra com melão e figo que estavam excelentes, regados de cerveja e uns pequenos goles de Blue. Para finalizar, mais tarde, umas pastas com pernil regadas da Deus que eu trouxe de NYC e que paguei 23 dolares. No dia seguinte almoçamos Peru com farofa e arroz e cuscuz que estavam delíciosos. Na volta, a Tia Mi fez bentôs das sobras e o Gui levou o Peru. O Pit não quis nada e perguntou se havia mais Pata Negra. Eu havia levado mais uma bandeja para a Tia Lena levar para o Ano Novo mas que ela cedeu para ele. Folgado não? Ainda bem que tenho mais. O Lucas disse que se ficasse mais uma semana iria engordar 10 quilos!

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  5. oi....
    nossa... muito boa mesmo e detalhada sua descrição da russia... deu para ter uma idéia bem legal e gerar uma vontade de ir passar umas semanas na Russia (algo que eu já tinha tendência né)... bem legal a balada que voce foi, ainda mais porque tem pembolim dentro né...rsrs e ótima a informção das datas comemerativas deles, como o natal e os anos-novos, não sabia que era diferente... há... que bom q vc se adaptou rapido e já conheceu bastante gente neh...

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