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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Istambul 3, bye-bye St. Pete e Índia

Amanhã no começo da tarde saio de St. Peteresburg, com destino a Delhi, na Índia, fazendo uma escala em Moscou. Vai ser muito bom reencontrar a Carol de novo, além do sol, como já disse. Vou colocar mais algumas fotos de Istambul pra completar o relato sobre aquela viagem.

Pra esquentar (ou esfriar), umas fotos do fim janeiro em St. Pete


Esfinge egípicia comprada por algum czar maluco, pra congelar



O rio Neva. O detalhe é essa pequena poça, onde as pessoas nadam no inverno numa comemoração que tem



Só no meio dele tem um pouco de água líquida



O sol nas ruas da Turquia



Entrada do palácio do sultão



Os jardins



A residência dele que tem vista para o mar



Aqui é no harém, onde as mulheres deles ficavam



Também no harém



Essa é a Blue Mosque, uma mesquita bem grande que fica na praça central



Um detalhe mais de perto



Aqui é a Hagia Sophia, que já foi o centro do império romano, mas foi um pouco transfigurada pelos árabes



Um dos mosaicos que tem lá dentro



Outro mosaico



A muralha de Constantinopla



Cruzeiro pelo Bósforo



Detalhe do barco



Ponte que liga o oriente ao ocidente, a Ásia à Europa



No fundo, é o começo do mar negro



Os kebabs turcos podem ser bons, mas os sanduíches de peixe são muito bons também

Bom, é isso por enquanto. Tomara que eu também tenha ótimas fotos da Índia!



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Istanbul – parte 2


No segundo dia em Istanbul, após tomar o café da manhã novamente no hostel, eu saí com o brasileiro para o Grand Bazaar, onde ele queria comprar algumas coisas, porque naquele mesmo dia partiria para a Bélgica. Demos uma volta ali e ele gastou seu dinheiro restante e eu pude conhecer um pouco mais da negociação turca. Depois, fomos para a Blue Mosque, já que ela fica bem perto do hostel e é de graça para entrar. Foi a primeira vez que eu entrei numa mesquita e é bem interessante, não muito diferente de uma igreja, mas com alguns costumes que eu não conhecia. Devem-se tirar os calçados para entrar na parte interna, mesmo que não seja possível visitar toda a mesquita, mas somente a parte reservada para turistas. A parte de dentro tinha uma cúpula bem alta e bonita, além de diversos mosaicos e vitrais. Na verdade, por ser um local com muitos visitantes, não parece algo muito autêntico, como um local religioso. O que é interessante em relação a cidade é que existem alguns momentos em que toda a cidade para pra fazer algum tipo de reza, nos quais se tiram os calçados, lavam-se os pés, estendem-se os tapetes e ajoelham-se neles, ao mesmo tempo em que os minaretes cantam algum tipo de hino religioso. É algo bem bonito e dá um toque especial ao ambiente da cidade. Talvez toda cidade com predominância de muçulmanos seja assim, mas como essa foi a minha primeira, me impressionou bastante. No caminho de volta para o hostel, passamos no museu dos mosaicos, que fica perto da mesquita, na verdade embaixo da mesma. Trata-se de um mosaico gigante, acho que deve ter uns 50 x 10 metros e é do tempo dos romanos. Se não me engano é o maior mosaico romano do mundo. Ele fica no local original onde foi encontrado, sobre o qual os árabes construíram diversas coisas, como a mesquita. O Not que me deu a dica desse museu e valeu a pena. Depois disso, voltamos para o hostel e ali almoçamos, para meu colega, a seguir, partir em direção ao aeroporto. Fui, então, para a Hagia Sofia, que, como já disse, era o centro do império bizantino. Talvez seja o principal ponto turístico da cidade, mas se trata de uma construção bastante misturada e eclética, na qual os árabes fizeram diversas mudanças para adaptar uma igreja cristã aos seus padrões. Cruzes foram transformadas em detalhes de mosaicos da arte turca, os símbolos cristãos, como alguns mosaicos de Jesus e Maria foram cobertos, foram construídos diversos símbolos muçulmanos e para sultões, entretanto, com o tempo e pesquisas, tudo isso foi descoberto, nos dois sentidos da palavra. Assim, ao adentrar no prédio o que se vê é uma grande mistura de símbolos, todos com sua importância, que foram se acumulando com o passar do tempo. Nesse sentido, que eu vejo Istanbul com uma importância histórica magnífica, porque foi o centro do mundo, tanto no Ocidente, quanto no Oriente e tudo foi sobreposto significando pra cada cultura algo completamente distinto. Quando nós vamos a esses lugares, imaginamos os diversos mistérios que estão ou estiveram expostos ali e, mesmo que não possamos compreendê-los, sabemos que existe algo especial ali.
Depois dessa visita, decidi outra sugestão do Not, que esteve em Istanbul no ano passado e fui visitar a muralha de Constantinopla, que era a defesa da cidade até a derrota para os turcos no século XV. Achei estranho que ela não aparecia em nenhuma indicação turística da cidade, mas mesmo assim fui até lá conferir. Eu pretendia caminhar por ela, mas o mal tempo e a má conservação da mesma não me permitiu fazer isso. Estava chovendo e ventando bastante e a muralha estava completamente suja, com muito lixo, o que me deixou um pouco receoso de continuar nesse caminho. Como não foi um símbolo adaptado pelos árabes e permaneceu como símbolo da derrota dos romanos, acho que eles não dão a importância devida e esse, que poderia ser um dos melhores pontos turísticos da cidade. Perto dali, tem um museu chamado Panorama 1453, que eu não recomento, porque só conta a história da batalha e possui uma espécie de reconstrução em 360 graus de como foi a invasão turca. Nada de mais. Voltei, então, para o hostel para me esquentar um pouco, mas logo depois voltei para a parte mais ocidental da cidade. Ali fui jantar, numa rua cheia de restaurantes de peixes e, pelo menos no que eu comi, era bastante bom. Depois dei mais uma volta e voltei para o hostel. Chegando lá, conheci meu novo room mate, um australiano, que estava morando no Irã para aprender persa, e saímos um pouco para um bar na frente do hostel. A francesa do meu quarto se juntou a nós e pudemos conversar um pouco e ouvir a boa música que tocava ali.
No dia seguinte já tinha meu plano: pegar o ferry para um passeio pelo Bósforo e voltar pelo lado asiático da cidade. O canal do Bósforo é a ligação do Mar Megro ao Mar de Mergara, que é uma espécie de continuação do Mediterrâneo, e divide a cidade na parte europeia e asiática. Quando estava tomando o café da manhã o australiano apareceu e se juntou a mim para o passeio. Até a entrada do mar negro são duas horas de barco passando por palácios de sultões e algumas pontes bem grandes. Não estava um dia muito bonito, mas mesmo assim foi legal ter uma perspectiva diferente da cidade. No final, de onde dá pra se ver o Mar Negro tem uma fortaleza romana, mas ela estava fechada para escavações arqueológicas. Ao invés de esperar o barco de volta por três horas, já tinha planejado em voltar de ônibus por terra, pelo lado asiático. Foi uma experiência divertida voltar nos ônibus comuns, sem falar turco e passando por bairros bem diferentes do centro turístico. Paramos pra trocar de ônibus uma hora, mas seguimos até um lugar onde podíamos pegar outro barco pra cruzar de volta para o lado europeu. Nessa última parada, tinham algumas mesquitas bem bonitas e menos turísticas que entramos e vimos algumas pessoas rezando. As mesquitas não eram tão pomposas como a Blue Mosque, mas de algum modo, pareciam ter algo de mais religioso. Já era perto das três da tarde quando paramos para comer um sanduíche de peixe, que custou muito barato e era delicioso. Na volta para o hostel passamos pelo Spice Bazar e por um café, onde pudemos descansar um pouco. De volta para o hostel, conhecemos melhor os novos companheiros de quarto, dois suíços, da parte italiana, mas que moram em Zurique e duas chilenas de Santiago. Como era domingo, não havia muitos lugares bons para sair, então decidimos ficar no bar do hostel, onde nos divertimos bastante conversando por bastante tempo. Uma coisa que deixa as viagens e os lugares bem interessantes é a companhia. Quando se encontra pessoas legais, os lugares passam a ser bem mais divertidos e as memórias dos mesmos também.
No dia seguinte acordei antes dos outros para me despedir da cidade com uma pequena caminhada. Nela, aproveitei para gastar minhas últimas liras na Cisterna, que fica embaixo do centro histórico. É uma espécie de lago subterrâneo do tempo dos imperadores romanos, que foi preservada e reformada e, apesar de ser um lugar pequeno e rápido de ser visitado, vale a pena. Perto da hora do almoço, parti para o aeroporto. Os funcionários do aeroporto não eram muito bons e ficaram enrolando para me liberar, porque eu não tenho visto para a Rússia porque eu não preciso, mas eles não sabiam disso. Eles também não despacharam minhas malas direto pra St. Petersburg e assim, tive que fazer check-in novamente em Moscou. Como só tinha uma hora de conexão, tinha quase certeza que iria perder o voo e foi o que aconteceu. Sorte que era a ponte aérea entre Moscou e St. Petersburg, com voos a cada hora e assim não tive que esperar muito. O divertido é que o time nacional de esqui e snowboard russo estava no mesmo voo que eu. Quem sabe se eu ver eles na televisão um dia, não os reconheço? Ao chegar em St. Petersburg, quase às 11 da noite, ainda tive que preparar algumas coisas para o trabalho no dia seguinte.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Istanbul - parte 1


A viagem para Istambul foi ótima. Deu pra se esquentar um pouco, apesar da temperatura não ter passado de 5 graus. Nem é tanto o calor que faz falta, mas de luz e de sol. Lá, pelo menos, clareava por volta das sete da manhã e o dia terminava por volta das 6 da tarde, o que é muito melhor que clarear as 9 da manhã e escurecer as 4 e meia, como acontece aqui na Rússia. Sobre isso, é engraçado como na Rússia as pessoas dão valor para o sol. Toda a vezes em que eu expliquei sobre a bandeira do Brasil, a resposta geral sobre o significado da cor amarela foi de sol e não de ouro e riquezas. Isso não quer dizer que o clima estivesse ótimo na Turquia também. Fez um frio razoável alguns dias além de ventar bastante, devido à proximidade com o mar, e até chover no segundo dia. De qualquer modo, a cidade é muito bonita e cheia história. Acho que é a cidade com mais história que eu já visitei. E a história lá sofreu diversas reviravoltas que, com certeza, mudaram o mundo. Já foi a capital do império Bizantino, já foi Constantinopla, já foi capital do império Otomano e hoje é uma das principais cidades do país, localizada nos dois continentes, Europa e Ásia. Até o destino do Brasil, enquanto país colonizado pelos portugueses depende bastante dos eventos ocorridos em tal cidade. O que teria ocorrido com a exploração marítima dos portugueses no século XV se os turcos não tivessem derrotado Constantinopla em 1453? O caminho para as Índias talvez estivesse livre e é possível que os portugueses nunca tivessem se aventurado no além-mar, continuando seus esforços em direção ao leste e as Índias. A cidade, assim, mistura todas essas origens históricas, abrigando desde construções do tempo dos romanos, preservadas ou não pelos turcos, como também diversas coisas muito interessantes feitas pelos sultões que reinaram em séculos mais recentes.
O voo de Moscou para Istanbul ocorreu sem problemas, com o avião razoavelmente vazio, apesar da companhia de diversas pessoas da Mongólia, incluindo uma menina que sentou perto de mim e era bastante irritante. As pessoas de países mais pobres, ou talvez do oriente, as vezes tem a mania de ficarem se mostrando para os outros quando estão viajando e querendo saber da vida dos outros. Essa menina queria ler meu livro, escutar minha música, sentar no meu lugar na janela e ainda conversar sem falar inglês. Eu fingia que tava dormindo pra me livrar dessa companhia irritante, mas, de qualquer modo o voo foi bastante bom. Ao contrário das companhias aéreas brasileiras, a Aeroflot, companhia nacional russa, serve comidas bastante boas nos seus voos. Chegando em Istanbul, passei pela imigração sem problemas e, após pegar minha mala, fui para o centro da cidade usando o metro e o tram. Eu tinha o endereço do hostel em que eu tinha feito a reserva além de um mapa que eu consegui no aeroporto, o que foi suficiente para que eu chegasse sem problemas ao centro da cidade e ao meu destino. As pessoas eram bem simpáticas e me ajudaram a me localizar. Eles falam inglês bem melhor em Istambul do que em São Petersburgo, principalmente quando os turcos querem te vender algo. Descendo do tram, tive a vista da belíssima praça central da cidade, que já foi o centro dos impérios romano e otomano. Ali estão duas das principais atrações turísticas da cidade, a Hagia Sofia, que já era o centro de Constantinopla e foi bastante mudada pelos árabes após a invasão, possuindo agora alguns minaretes em volta; e a Blue Mosque, uma mesquita impressionante. O hostel, que se chama Sultan Hostel, fica numa rua bastante turística, rodeada de outros hostels, hotéis, restaurantes e bares, e é bastante aconchegante, valendo o baixo preço que paguei pelas noites lá. Meu quarto tinha três beliches, com todas as camas, exceto a minha, ocupadas por pessoas dormindo, na hora que eu cheguei, por volta das 11 da noite. Estava com muita fome, por isso fui para o restaurante do hostel comer meu primeiro döner kebeb, que estava delicioso. Descobri que os kebabs daqui são feitos todos de carneiro e não de carnes misteriosas, o que os torna bem melhores do que de outros lugares. Logo, fui dormir para poder aproveitar o dia seguinte.
Logo de manhã, quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, apesar da cortina, acordei sem estar cansado da viagem e aproveitando a uma hora de fuso ao meu favor. Tomei o café da manhã, incluído no preço, que era bem ok, com o pão sendo bastante bom, como em todos os lugares por Istambul. Saí para dar um volta pelas redondezas, sem planejar muito o que fazer. Acabei chegando no Topkapi palace, que era o palácio do sultão e é imperdível. Além se estar localizado no canto entre o Bósforo, o Golden Horn e o mar e, assim, possuir uma vista incrível, é bom para entender um pouco da vida dos sultões e ver as diversas relíquias que ele tem. É divertido que eles tem até a “barba do profeta”, um pedaço da barba do Muhammed, que é o principal profeta dos muçulmanos. Tem ainda o harém dele, um conjunto de prédios onde as diversas mulheres moravam. Fiquei um bom tempo lá, porém bem cedo, antes que as diversas excursões chegassem. São principalmente de países asiáticos, como Japão e China, mas, na verdade, tem gente do mundo inteiro.
Saindo de lá, fui para o museu arqueológico de Istambul, que talvez seja o melhor museu de história em que eu já fui. Era bem grande e tinha muitas coisas da antiguidade oriental, como Pérsia e Mesopotâmia, que eu nunca tinha visto. Eu tava bem cansado de andar, mas terminei esse museu e fui almoçar, dessa fez um sanduíche de kebab de frango. Após a parada para o almoço caminhei até o Grand Bazaar, que é um mercado gigante onde se vende de tudo. Não comprei nada lá, só observei os turcos negociando com todos que passavam. A seguir fui para o Spice Bazaar, onde aí sim testei minhas habilidades de negociador tentando comprar algumas coisas. Eles não falam os preços das coisas, mas ficam valorizando as suas mercadorias e esperam você dizer quanto quer pagar e ficam insistindo em vender ao maior preço possível. Quando se tenta barganhar eles apelam pra argumentos como “eu preciso de dinheiro pra sustentar minha família” ou “eu sou seu amigo, não faça isso comigo”. No final, sempre dá pra abaixar os preços, quando eles revelam desde o começo, a cerca de um quinto do preço original, às vezes até menos. É muito estranho, mas muito turistas acabam pagam muito caro pelas coisas que eles vendem. Acho que a gente, brasileiros, somos bastante bons em barganhar, porque sempre deixamos os turcos irritados com o preço que eles acabam fazendo. Não comprei muitas coisas, mas só uns chás e souvenirs.
Já era fim da tarde, quando voltei para o hostel para dar uma descansada antes de sair para comer algo. Lá conheci um brasileiro que estava no mesmo quarto que eu e ele decidiu ir comigo explorar outra região da cidade. Era um bairro bem ocidental, parecendo qualquer calçadão de lojas de outras cidades. Paramos num restaurante que parecia simpático e comemos um delicioso misto de grelhados, que era enorme. Tinha carne de kebab, franco, boi, carneiro, além de legumes e um pão muito bom. Bem alimentados, passamos por um bar ali por perto antes de voltar ao centro da cidade, onde paramos num café de onde voltamos para o hostel.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Volta para o frio!

A viagem por Istanbul foi bastante boa e serviu pra eu descansar um pouco do frio, apesar de não estar realmente quente aqui. Estou indo pro aeroporto em poucos minutos e espero que durante o tempo de viagem e aeroporto eu possa relatar melhor os meus dias por aqui.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Semana e aeroporto


Estou agora no aeroporto de Moscou esperando pelo meu voo para Istambul. Não é o mesmo do atentado de segunda-feira, mas a segurança está muito rígida aqui. Mesmo em St. Petersburg, o controle está bem forte, havendo raios-X mesmo para entrar no aeroporto. Quando se entra no embarque, além do procedimento padrão, de tirar o sapato e o cinto e passar no detector de metais, eles estão fazendo uma revista em todos que vão embarcar. Quando cheguei aqui, tive ainda que mostrar meu celular e ligar meu computador, porque acho que eles queriam saber se era mesmo um computador. Na hora de carimbar o passaporte a mulher conferiu todas as páginas por muito tempo. Ela até escaneou algumas, mas não entendi o sentido. Talvez ela tivesse achando que era falso. Mas agora já deu tudo certo e é só esperar pelo voo.
Essa semana foi bem tranquila, apesar de eu ter finalmente trabalhado de verdade. Foi um pouco cansativo, mas foi por isso que eu vim para cá. Na segunda, só trabalhei de manhã, na terça até o começo da tarde e na quarta o dia inteiro. É estranho que quando eu chegava no hostel depois do trabalho, os colegas ficavam revoltados a minha carga de trabalho. Realmente não entendo... Eles vieram aqui para que? Eu já cansei de ser turista na cidade e não aguento mais ficar flanando de museu em museu e, por isso, o trabalho e essa viagem são ótimas saídas para isso. Além disso, chegaram mais duas pessoas para ficar no meu quarto, um chinês e um brasileiro, e por isso está novamente uma grande bagunça e preciso sair de lá pra refrescar a cabeça. (Que engraçado usar essa expressão aqui, não?). Bom, gostei do jeito que escrevi outro dia pra resumir a semana, porque foi bem prático, apesar de não ficar um texto tão divertido.
Sábado: Depois de ter publicado no blog, decidi ir a um pub inglês que parecia ser bem bom e que ficava um pouco longe do hostel. O caminho até lá não era muito bom, porque nesse dia tinha muito gelo na calçada e cai duas vezes, mas sem maiores danos, do que sujar a calça de neve. O ambiente do pub era muito bom, lembrando bastante o que imagino ser um pub inglês. A comida e a bebida eram bastante boas também, com destaque para as cask ales, uma inglesa e uma imperial porter russa que eram uma delícia para se esquentar. Depois disso, voltei para o hostel e dormi bastante bem, porque estava precisando descansar.
Domingo: Acordei bem tarde, mas logo saí junto com o Glauber para encontrar algumas russas que conhecemos no ano novo. Fomos para um shopping que tem um tipo de centro de diversões, com boliche, sinuca e jogos eletrônicos. Ficamos algum tempo lá, jogando sinuca, air-hockey e conversando. Depois de um lanche no fim da tarde voltei para casa porque precisava terminar minha aula do dia seguinte. Na verdade, eu nem fiz essa aula, deixando para os outros, porque não gostei muito do tema que é “Personal Finance”, que não sei muito bem como e o que ensinar. No final, o resto do meu grupo pegou uma apresentação da internet e adaptou para os nossos propósitos.
Segunda: Trabalhei somente de manhã, mas desde bem cedo, tendo que sair de casa aproximadamente às 7 e meia da manhã. Parece não ser tão cedo, mas quando o sol nasce as 9 e meia, é bem mais difícil acordar. Foi a terceira vez que fomos nessa escola e deu tudo certo, apesar de um erro no nosso planejamento. Pedimos uma lição de casa, mas a apresentação da mesma tomou todo o nosso tempo de aula, além de expor diversas dificuldades dos alunos, como por exemplo, a preparação de apresentações e a fala em inglês de temas não tão familiares para eles. Depois da aula, voltei para o hostel e saí para almoçar. Acabei encontrando um restaurante japonês muito bom, onde um tipo de bento, com gyushogayaki, sushi, gohan, missoshiro e bebida, custavam somente 15 reais. Naquela noite saí para encontrar uma amiga que fiz no trem de volta de Kostroma e fomos para um café e ficamos conversando e combinamos de ir ver um show de jazz ainda essa semana.
Terça: Fomos trabalhar numa escola nova, talvez a melhor escola de todas, onde os alunos realmente falam inglês e as professoras foram muito receptivas e simpáticas conosco. Foi um pouco difícil a aula no início, porque estávamos um pouco intimidados com várias professoras de inglês nos assistindo, porque sabemos que nosso inglês não é gramaticalmente perfeito. Mas valeu a pena, também pelo almoço que foi o melhor que a gente comeu numa escola até agora, e espero que a gente continue trabalhando nessa escola. Talvez os novos trainees que acabaram de chegar assumam as aulas ali. A tarde, assisti a um filme (no final vou por minha lista de filmes que vi até agora nessa viagem, com alguns comentários que eu fiz) e depois saí pro irish pub pra usar a internet. Nesse momento já estava meio entediado e de repente, meio que por impulso, decidi comprar a passagem para Istambul, para dois dias depois, porque teria tempo e estava razoavelmente barato.
Quarta: Esse dia foi bem cansativo em relação ao trabalho. De manhã até o início da tarde dei três aulas de uma hora e meia cada, praticamente sem intervalo. Depois da pausa para o almoço, mais uma aula para fechar o dia. O que aumentou o cansaço foi o fato de que só eu e a Tatiana demos as aulas, já que os outros dois membros do grupo não foram trabalhar. De novo, não entendo o que vieram fazer aqui... Esperava poder voltar para o hostel antes de sair de novo, mas não tinha muito tempo e acabei indo direto para o lugar do jazz. Antes de ir pra lá, parei no McDonalds para reservar meu hostel em Istambul. Encontrei minha amiga e fomos para o Jazz Philharmonic Hall, uma sala de concertos em que só jazz é apresentado, desde muito tempo atrás (acho que uns 60 anos pelo menos). O teatro é bem simpático, assim como o cantor que se apresentou, mesmo que eu não entendesse uma palavra do que ele dissesse. Era uma grupo de blues que tocou várias músicas conhecidas. Depois, passei ainda no Subway pra usar a internet e resolver os últimos detalhes da passagem e ainda comprar os ingressos dos ballets que eu vou assistir quando voltar. Comprei a trilogia completa do Tchaikovsky no teatro Mariinsky (ex-Kirov): A Bela Adormecida, O Lago dos Cisnes e O Quebra-nozes. Mesmo que tenha sido um pouco caro, acho que é uma oportunidade única na vida ver todos os balés mais importantes dele aqui na Rússia. Eu preferia que fosse a trilogia do Stravisnky, mais ainda sim estou bastante animado, principalmente depois de ver o filme O Cisne Negro, no dia anterior. Assim vou ocupar meus últimos finais de semana na Rússia e acho que não vou ficar mais entediado lá.