domingo, 14 de dezembro de 2014

Nem outono, nem inverno

Escrevo agora no shinkansen de Osaka para Hiroshima. Saímos bem cedo do hostel em que passamos a última noite no sul do bairro de Asakusa, bem perto da meca dos eletrônicos e fans da cultura pop japonesa: Akihabara. Comprei uma câmera na maior loja, Yodobashi, para registrar melhor os momentos da viagem. Comi um tsukemen* muito bom ontem à noite (educadamente fazendo muito barulho) com macarrão delicioso e caldo potente à base de porco. Digo que comi no singular porque as companheiras de viagem não conseguiram aproveitar muito bem. Carol ainda se recuperando do resfriado e Julia das maneiras ocidentais de comer com garfo e degustar silenciosamente a sopa. Foi ótimo para se esquentar antes de dormir muito bem para mais um dia on the road. 

Tenho tido uma relação complicada com o meu casaco de inverno. Sim, aquele que aguentou o inverno russo de dezenas de graus abaixo de zero. Ele é grande e volumoso e algumas horas eu me arrependo de o ter trazido, já que parece desnecessário. Ontem na caminhada para Akihabara eu me rebelei contra ele deixando no quarto do hostel e saindo só com um paletó mais leve e menos quente. O lamen foi, assim, providencial. Já hoje de manhã ele foi bem útil porque fazia um frio considerável às 6 e meia da manhã, quando saímos em direção à estação de Tokyo. Já deu pra perceber que não está nem muito frio, nem muito quente. 

A paisagem do país corrobora o meu argumento. Em Tokyo, não está nada parecida com a de quase 7 anos atrás, quando visitei o Japão pela primeira vez, já no final de Janeiro, ápice da estação mais fria do ano. Ainda há muitos resquícios do outono que ainda não acabou. Algumas folhas avermelhadas e amareladas na copa das árvores, um sol que ilumina e esquenta não escondido por nuvens cinzentas. Deu até para se avistar o monte Fuji da casa do João, em Kiyose, pequena cidade rural às margens da megalópole. Os 20 e poucos quilômetros de distância são percorridos em cerca de meia hora pelos trens que de maneira muito eficiente transportam milhares de passageiros. Vai ser um ótimo lugar para nós hospedarmos pois ndicará pistas para entender a relação entre moderno e tradicional, urbano e rural, que os japoneses resolvem de maneira tão estranha e extranha para a nossa lente ocidental. Caminhando pelo bairro, há um contraste entre os terrenos onde pequenos produtores plantam vegetais e os vendem na própria calçada e uma rua em que são expostas esculturas de artistas contemporâneos. Nas três quadras que formam o calçadão central da cidade há uma grande diversidade de restaurantes e optamos por um de tonkatsu para o almoço acompanhado pelo anfitrião. Decifrar o cardápio não é fácil e as escolhas às vezes são aleatórias, mas a comida tem sido sensacional. 

Voltando ao tema do casaco, o problema maior é o contraste entre as temperaturas externas e internas. Ao ar livre a temperatura em Tokyo anda em torno de 5 a 10 graus sem considerar o vento. Ao entrar nos lugares abrigados o casaco incomoda pelo volume e pelo calor que obriga à desconfortável tarefa de tirá-lo e carregá-lo. Agora mesmo no trem está tão quente que quase penso em tirar a malha que cobre a camiseta. Enfim, tudo isso pra dizer que ainda não é inverno, mas também não é outono.

A viagem de hoje começou com o frio da manhã, porém com um belo sol de inverno e o céu bem aberto. O monte Fuji estava belíssimo do lado direito do trem, sem nenhuma nuvem ao seu redor. Poucos minutos depois, mas muitos quilômetros à frente (trem-bala) começaram a aparecer nuvens um cenário de chuva recente, e casas com brancos nos telhados indefinidos entre gelo e neve. Um pouco mais à frente, a resposta: era neve. Riscos brancos eram vistos na horizontal pela janela e logo foi visível a paisagem branca, que foi cada vez se tornando mais predominante, a ponto de cobrir carros e árvores. Os bosques de pinheiros da região lembravam o Natal que sempre imaginamos. De repente, não havia mais neve nem nuvens e o sol voltou a brilhar. Acho que essa vai ser o clima da viagem até o fim, variações entre essas categorias dicotômicas: rural - urbano, sol - neve, centro - periferia. Só sei que eu aproveito dessas indecisões para fazer o que gosto: experimentar todos os deliciosos sabores. Um chá quente vai tão bem quanto um sakê gelado (e vice-versa), analogamente para o par sushi - lamén (esse não vice-versa!). Se Levi-Strauss (aliás, grande admirador do Japão) mostra como a passagem da alimentação do cru para o cozido realiza a passagem da natureza para a cultura em diversos mitos, fico com o já mitologizada ideia brasileira de antropofagia: seja em um polo ou no outro, comemos todos.

* tsukemen é um lamen em que o macarrão vem frio e fora do caldo que é quente e bem forte.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

No caminho para Tokyo ou perdido no limbo do tempo

Aeroporto Hamad em Doha, 12 de outubro de 2014. Ou seria dia 11. Não sei mais. Só lembro que saí de Mogi pouco antes da virada do dia 10 para o dia 11. O voo para Doha saiu no horário previsto das 4 da manhã. A viagem durou 13 horas, mas chegamos aqui, eu, Carol e Julia depois das 10 noite. Já passou das 3 da manhã e ainda faltam 4 para o voo para Haneda, em Tokyo. O aeroporto de 16 bilhões de dólares é grande e tem muitas lojas, mas não é fácil de dormir. Tem muitas luzes, muita gente e barulho, além de cadeiras que são largas na medida certa para você sentar com muito conforto, mas que também tem braços que impedem todos que não sejam contorcionistas de deitar. Tem uma sala com cadeiras para se espreguiçar, mas é mais quente que uma sauna e os roncos mais altos que o motor do avião. Pelo menos achamos um café com um sofá confortável que, entre um gole e outro é usado para uma rápida deitada. As tâmaras que vem com o café e a que estavam servindo de degustação na loja são deliciosas, bem diferentes das enjoativas do Brasil. A comida genérica centro asiática da praça de alimentação que misturava falafel, kibe, samosa e butter chicken era boa e serviu de jantar. Ou ceia. Não sei mesmo. Já fazem algumas horas que enquanto vagamos pelas lojas do aeroporto somos saudados com good morning. O aeroporto daqui é tão internacional quanto o novo de Guarulhos, só trocando as havaianas, camisas da seleção e cachaça por camelos, enfeites arabescos e roupas para mulheres que só deixam expostas os olhos. Eu diria que é um aeroporto bem Copa do Mundo. O café acabou mas continuo deitado. Ele era bem estranho, parecendo um chá, com cardamomo e açafrão bem salientes, servido em um belo bule um pouco psicodélico e nada prático. Amanhã (ou hoje, não sei) chegamos para dormir em Tokyo. A temporalidade da viagem é bem estranha. Espero que normalize no sábado, já no horário japonês. De algum modo tudo isso parece um processo que transforma sua percepção do tempo que permite que você possa enxergar as coisas de outra maneira do outro lado do mundo. Entre a quarta a noite e o sábado de manhã passa um tempo indeterminado cuja indeterminação é acentuada pela falta de condições necessárias para se dormir. São dois voos que atravessam muitas zonas de fuso horário durante o dia, que claro, parece durar pouco como dia, mas muito no seu vagar na poltrona do avião. Entre filmes, musicas e chicken or pasta, o tempo passa e para. Os aeroportos com as mesmas lojas e produtos parecem apontar para essa tempo estático. Tomara que esse impasse temporal seja resolvido com um belo sol nascente...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Quase voltando de NY

A gente chegou em New York no dia do Natal e já estamos indo embora amanhã, antes do ano novo. Aqui foi tudo bem corrido mas deu pra aproveitar um pouco de todas as coisas que a cidade oferece. Comemos e bebemos bem (obvio), andamos bastante, fizemos boas compras, assistimos ao jogo de basquete, ballet e opera, fomos ao museu... Sempre da pra voltar pra cá porque sempre há muito o que se fazer. Acho que o nosso retorno vai ser bem tranquilo e esperamos por mais viagens!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Em San Diego

Estamos na casa do Saul e da Kate em San Diego e estamos aproveitando bastante. Ando com um pouco de preguiça de escrever, mas está tudo bem e daqui a alguns dias vamos para New York. Temos comido e bebido muito bem por aqui graças a um roteiro elaborado por eles. Ambas as cidades, Los Angeles e San Diego necessitam de carro para locomoção, por isso o aluguel tem sido muito bem aproveitado. Alguns destaques até a noite de hoje:

- Getty Center em LA, talvez o museu mais legal que eu já fui

- Demitasse em LA pata tomar cafés, principalmente o Kyoto Drip Coffee. São Paulo ainda tem muito o que aprender em termos de café...

- Jogo Clippers x Kings no Staples Center, a estrutura do lugar é impressionante, assim como as jogadas do time local

- Transito de LA talvez pior que de Sao Paulo

- Abacaxi, que é o gato da casa que ficamos de cuidar em troca da hospedagem. Ele é muito divertido e preguiçoso.

- Zoológico de San Diego, que é muito, muito grande e não deu pra ver nem metade

- Comidas de San Diego. É bom ter um amigo no local, principalmente um viciado em encontrar lugares bons para se comer. Já fomos em um chinês, um indiano, um mexicano (quase na fronteira com o México) e num gastropub, todos excelentes e com preços muito bons

- Cervejas e cervejarias de San Diego. Eu poderia ficar falando sobre isso por horas aqui. É o paraíso das craft beers com muitos lugares para ir numa distancia bem curta. É impressionante como a cultura cervejeira é muito disseminada por aqui. Já fomos em quatro para fazer degustações e visitas (Stone, Alesmith, Greenflash e Port/Lost Abbey). Não se preocupem que eu não estou dirigindo depois de beber, já que estamos fazendo um revezamento e a Carol tem voltado dirigindo (bastante bem, na verdade).

Se eu não escrever de novo, bom Natal para todos!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Em LA

Já chegamos em Los Angeles depois de uma exaustiva, mas compensadora viagem. Foram dois dias na estrada (além de algumas horas no transito daqui, que talvez seja pior que o de São Paulo) por paisagens incríveis que mudaram muitas vezes. Na verdade, tinha escrito sobre o primeiro dia, mas nao deu pra publicar e eu perdi. Nesse dia, fomos até Big Sur, que fica num vale de montanhas perto do mar, e ficamos num hotel na beira da estrada e do rio, muito charmoso. Passamos por Monterey, onde o aquário nao era tão bom assim como esperávamos e pela 17 miles drive, no caminho de Carmel, onde tinham vistas incríveis por dentro dos campos de golfe (como o famoso pebble beach).
No segundo dia, o caminho era mais longo com cerca de 350 milhas de estrada até LA. Saímos com o carro congelado e terminamos a tarde dirigindo sem blusa e com a janela do carro aberta. Fomos o caminho todo pela California 1, que é a estrada que vai pela beira do mar. passando por muitas montanhas, plantações e vistas. Continuamos parando pelas vistas nas montanhas, praias e para ver os elefantes-marinhos. Hoje vai ser o único dia que temos para aproveitar LA, já que amanhã partimos para San Diego, portanto vai ser mais um dia corrido que inclui uma ida ao Staples Center para ver um jogo dos Clippers.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Partindo de SF

Daqui a pouco vamos sair de San Francisco em direção ao Sul. Aqui foi um pouco corrido e cansativo e ainda assim nao deu pra ver tudo o que a gente. O tempo estava bom, com pouco frio (dava pra sair sem casaco) e chuva só no primeiro dia. Um resumo geral das coisas que fizemos e valeram a pena:

Caminhar pelos morros da cidade

Hambúrguer no Pearl's

Mercado no píer

Bar Toronado (e o cara que pagou as cervejas pra gente)

Muir Woods

Paisagem do vale de Sonoma e vinícola do vale de Napa

Restaurante Mission Chinese (nunca vou esquecer a pimenta)

Hoje vamos começar de verdade a nossa viagem on the road no nosso Chevy Impala, já que ontem foi só aquecimento. Vamos passar hoje por Monterey e Carmel e dormir em Big Sur. Amanhã a idéia é chegar até Los Angeles.

domingo, 16 de dezembro de 2012

No caminho para SF

Estou escrevendo durante o trajeto de Vancouver para San Francisco, com escala em Portland. Saímos do hotel bem cedo, antes das 5 da manhã, para ir ao aeroporto. Uma coisa curiosa sobre o aeroporto de Vancouver é que ele tem um terminal especifico para embarque para os Estados Unidos, de modo que o serviço de imigração com agentes americanos é feito lá mesmo, antes do embarque. Tivemos que pagar pelas malas despachadas já que essa é a política da Air Alaska. Nós tínhamos exatamente a quantia necessária em dólares canadenses e deu tudo certo. O último dia no Canadá não foi muito bom de passeios porque estava frio e com uma chuva bem chata e fria, que as vezes cristalizava e virava gelo, mas sem se tornar neve. Por isso fomos a um museu de arte perto do hotel chamado Vancouver Art Gallery onde tinham três exposições bem interessantes. A primeira era sobre um artista chamado Ian Wallace que desenvolve um trabalho que mescla a pintura e a fotografia, numa linha bem contemporânea e interessante. Ele se utiliza de vários meios para questionar as representações de imagens na sociedade e também no meio artístico. A segunda exposição que dialogava diretamente com essa era sobre a arte conceitual canadense das décadas de 1960 a 1980, que tinha obras bem importantes desse movimento de artistas como John Baldessari. Essa tradição artística esta diretamente ligada com os trabalhos de Duchamp do começo do século passado, nos quais sempre existe um questionamento sobre o significado da arte. Nesse sentido, a arte conceitual critica as formas usuais de arte onde existe uma certa idolatria das obras e dos artistas e passa a valorizar mais o fazer artístico e o pensamento por trás das obras. A terceira exposição era de aquarelas de dois artistas canadenses do início do século passado, da região da Columbia Britânica, que tinham relações com os povos locais. Uma delas é a Emily Carr, que é de Victoria, é nome de várias coisas e tinha um macaco de estimação, de acordo com uma estatua dela que vimos naquela cidade. Depois das exposições tomamos um café no delicioso café do museu e fomos à sua lojinha e também a uma livraria ali perto. A chuva continuava e não estava fácil ficar passeando a céu aberto. Fomos então almoçar num restaurante malasiano que também estava bastante bom. Depois voltei com o Lucas para descansar no hotel e ficamos lá até sairmos para jantar, enquanto as meninas foram dar mais uma volta. No jantar, fomos a outro restaurante japonês perto do hotel, um pouco mais caro, mas também com coisas muito boas como chu-toro, toro de yellow fin, toro de salmão, foie gras de monk fish e outros. Arrumamos as malas, mas não deu pra dormir muito já que os vôos eram bem cedo. Tomara que a viagem pela Califórnia continue tão boa quanto a do Canadá.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vancouver Gourmet

Estamos todos no quarto do hotel nos preparando pra terminar mais um dia de fartura com uma garrafa de um ice wine da região, feito com uvas merlot, uma cerveja double ipa da cervejaria phillips de victoria, harmonizados com um cheddar de Quebec com 4 anos de maturação, indicado e comprado no public market da granville island. Voltando pro começo do dia: a idéia era ir de manhã para a granville island, que não é realmente uma ilha, mas um tipo de um bairro com muitas coisas legais, das quais se destaca o mercado. O mercado, provavelmente, é o que eu mais gostei dos que eu visitei no mundo. Tinha absolutamente de tudo pra se comer. De wasabi fresco a caqui, de vieiras gigantes a caranguejos frescos. A gente tomou umas sopas e comeu um fish and chips (de um peixe da região chamado hallibut). Se a gente tivesse voltando direto pro Brasil, a gente levaria a mala cheia de coisas daqui como uns cogumelos exóticos, mapple syrup feito artesanalmente e wasabi fresco. Nesse bairro tinha ainda muitos ateliês de diversas coisas com tapeçaria, gravura, vidros, papel, cerâmica, cerveja e sake. Da pra saber em qual nós ficamos mais tempo, não? A cervejaria chamada Grantville Island tinha umas cervejas bem leves e equilibradas, bem razoáveis. Enquanto eu e a Carol fizemos a degustação o Lucas comeu um prato de queijos da região. Saindo de lá, nos deparamos com uma placa de sake artesanal, o que significou mais uma pequena degustação. Foram três estilos, todos de alta qualidade, da primeira fabrica de sake artesanal do Canadá, chamada Osake. Depois desse passeio voltamos pro hotel e o Lucas decidiu ficar descansando, enquanto eu e a Carol decidimos ir para o Stanley Park pra dar uma volta. Lá tinha uma tipo quermesse com coisas com luzes de Natal com muitas pessoas. Lá tomamos uma hot apple cider, que é tipo um vinho quente de cidra, pra esquentar e comemos algumas castanhas assadas. Na volta encontramos a Yuri na saída do trem e fomos pro hotel. De lá, famintos decidimos ir pro mesmo restaurante de ontem que se chama Guu. Hoje comemos outros pratos diferentes como água viva, mini polvo frito, intestino de porco frito, vieras novamentes, yaki udom, kimchi udon, pescoço de salmão defumado, um file gigante de ahi tuna, um torodo e polvo marinhado no wasabi que era muito, muito ardido. A conta foi de novo bem barata. Eu acho que só o atum que a gente comeu custaria mais caro que toda a conta se fosse no Brasil. Só quando a gente tava terminando a janta a gente viu um aviso no papel do hashi dizendo que "o Guu é viciante" e assim, tivemos que nos conformar com nosso vício. Tem fotos de novo, mas como eu estou escrevendo e colocando tudo direto do iPhone, elas ficam meio fora de ordem. Amanhã é o ultimo dia no Canadá e vamos aproveitar pra conhecer um pouco mais da cidade.



















sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Para o pai e o Pit

Eu tava falando sobre a comida aqui no Canadá, mas tenho que voltar a isso depois da janta de hoje. Fomos num izakaya aqui perto do hotel que eu tinha recebido boas recomendações na internet. A comida estava muito boa, muito boa mesmo. Vejam nas fotos. Tem vieiras, uni, amaebi, buta no kakuni, otchazuke com ovas, cerveja e refrigerante produzidos especialmente para o restaurante, tudo numa qualidade fantástica. Anexei uma foto da conta pra vcs olharem.















No barco para Vancouver

Nosso barco está saindo agora de Victoria para Vancouver. A Yuri ficou porque tem uma última prova pra fazer amanhã, mas depois ela já volta pra encontrar com a gente. O barco é enorme, bem confortável e espaçoso. A viagem só leva 1h30 e talvez de para ver alguma baleia pelo caminho. Hoje o dia foi cheio com a caminhada pelo Monte Douglas. Eu e o Lucas saímos do hostel antes das 8 da manhã, fazendo o checkout, em direção à universidade, onde encontramos as meninas para irmos para o parque onde esta essa montanha. Lá, subimos até o topo por algumas trilhas no meio de uma florestinha. Tinha uma boa vista que dava pra ver toda a cidade além de dar pra avistar os Estados Unidos. Tava bem frio lá em cima devido ao vento, mas a luz matutina iluminava tudo de uma maneira bem bonita. Depois de descermos, passamos no quarto da Yuri pra pegar a caixa com as coisas que ela ia despachar para o Brasil no correio. Voltamos para o centro e passamos pelo correio e depois fomos almoçar. Como tínhamos pressa para pegar o ônibus para chegar no ferry, comemos no mesmo restaurante do primeiro dia, onde eles servem uma comfort food deliciosa. Na verdade, a comida aqui tem sido o destaque da viagem. É tudo muito bom e barato. Ontem a gente almoçou num restaurante de frutos do mar, com direito a king crab, ostras, mariscos e salmão, por 30 dólares por pessoa. Na janta, fomos para um indiano muito bom em que comemos biriyani, aloo gobi e masala dosa. O plano era para irmos para o Butchard Gardens pela tarde, mas acabamos ficamos andando pela cidade, depois de passarmos a manhã no museu de victoria que era bem interessante e bem realizado, mesmo com alguns probleminhas antropológicos. O objetivo do museu é servir como referencia sobre essa região, oferecendo uma visão sobre a natureza e as pessoas que habitaram a região ao longo do tempo. Nesse sentido a parte sobre história natural e sobre a colonização britânica era bem legal, mas a parte sobre os povos locais (que eles chamam de first people) era bem estranha, uma vez que misturava todos os povos indígenas no tempo e no espaço, de modo a não considerar as peculiaridades de cada um. Esses povos dessa região foram estudados desde o nascimento da antropologia moderna, inicialmente por Franz Boas, e sabe-se que eles eram muito complexos e interessantes na sua cosmologia e organização social. Mas a tecnologia expositiva do museu era fantástica, com diversos recursos muito legais, com um tipo de microscópio que permitia a observação de detalhes das pedras e fosseis. Tinha também duas exposições temporárias, uma sobre a evolução dos mapa mundi ao longo do tempo e das diferentes formas de representa-lo e outra sobre fotografia de natureza, ambas muito interessantes. Nos dias em Victoria o tempo estava bastante bom, com pouco frio (cerca de 6-7 graus) e sem chuva. Hoje deu uma esfriada e voltou a chover um pouco. Tomara que o tempo continue bom para os próximos dias.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Em Victoria

Olá, chegamos ontem aqui no Canadá. Como a diferença de horário é bem grande (6 horas a menos) parece que eu demorei pra colocar as notícias aqui, mas ainda é 8 da manhã da terça-feira. A viagem foi bem cansativa, mas agora já descansamos. O primeiro vôo levou um pouco mais de 10 horas, o segundo mais umas 5 horas e o último pouco mais de
meia-hora. Entre um vôo e outro não foi tão tranquilo de tempo quanto eu imaginava que seria, contando, principalmente, uma bela corrida pelo aeroporto de Vancouver pra não perder o vôo. Ele saia às 11h30 e às 10h55 a gente tava saindo do outro voo. Mas deu tudo certo sem problemas. Eu sei que no total a gente levou umas 20 horas pra chegar, mas ainda sim chegamos por volta da 1 da tarde na cidade. Acho que já deu pra superar o jet-lag com uma bela caminhada pelo centro da cidade ontem guiada pela Yuri. Caminhada pelo centro aqui não significa prédios, barulho e muita gente, mas andar pela beira do mar avistando a paisagem e focas. A cidade é muito bonita, bem tranqüila e bem barata. Nós almoçamos num restaurante que rinha de tudo e jantamos num vietnamita, em ambos com porções muito bem servidas e com preços de cerca de 10 dólares. As lojas daqui também tem bastantes coisas bem baratas. Eu comprei uma lente pra câmera e o Lucas comprou dois cubos mágicos de 4 e 5 lados. Tem muitas lojas de doces e lugares que vendem jogos de tabuleiro aqui, tipo aqueles que a gente só encontra no ludos em São Paulo. A idéia hoje é ir no museu e em um jardim, além de ir comer frutos do mar a noite. Até mais!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Planos para dezembro


Olá a todos,

Esse blog andava meio esvaziado esse ano, mas logo vai ser reativado. A viagem de dezembro pela
América do Norte promete! Serão alguns dias no oeste Canadá, depois uma road trip clássica pela Califórnia e mais alguns dias em Nova Iorque depois do Natal. Fiquem de olho que depois eu coloco mais detalhes aqui.

Até!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Salvador - Julho de 2011

Pra quem quiser, tem um artigo que eu escrevi pro site da Lomography sobre a nossa pescaria em Salvador no ano passado:

http://www.lomography.com.br/magazine/locations/2012/01/20/hstria-de-pescador-na-bahia

terça-feira, 8 de março de 2011

Back home

Já estou de volta em casa. Não deu pra escrever durante a viagem pela Bélgica e pela Holanda, mas foi uma viagem bem aproveitada. Passamos por Antuérpia, Gent, Bruges e Bruxelas, todas na Bélgica e depois voltamos para Amsterdam, de onde saí para conhecer Rotterdam e Haia, numa rápida viagem de um dia. Aos poucos fui me recuperando e logo no começo da semana passada já estava podendo comer normalmente. Minhas energias aos poucos foram se recuperando, após alguns dias dormindo bastante bem num tour por hotéis Ibis. As cidades todas, apesar de várias semelhanças. são bastante diferentes entre si, cada uma com algumas especificidades que as tornam interessantes de serem visitadas.
Mas um momento especial para mim foi quando consegui, após praticamente implorar na porta, ingressos para assistir a Oitava Sinfonia de Mahler com a orquestra do Concertgebouw no sábado. Essa é uma sinfonia especial para mim, porque nunca conseguia ingressos para assisti-la (foi minha terceira tentativa, a primeira frustrada pela chuva no Rio, a segunda pela ausência de ingressos durante o Carnaval em Luzern, na Suíça). Era também a última sinfonia desse compositor que faltava pra eu ver ao vivo. Valeu muito a pena. A orquestra do Concertgebouw, que é uma das três melhores do mundo, junto com Berlim e Viena, regida pelo seu maestro titular, Mariss Jansons e um coral de mais de 300 vozes, na sala de Amsterdam é realmente especial. Uma oportunidade quase única que valeu o esforço, que coroou mais um fim de viagem, também muito especial. Quem sabe coloco mais alguns comentários aqui ainda. De qualquer modo, até a próxima(viagem ou postagem)!!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Notícias de Amsterdam

Olá! Obrigado a todos pelos comentários, mas não precisam ficar preocupados comigo, já que aos poucos estou melhorando.
Ontem de manhã eu achava que já estava quase totalmente recuperado e me sentindo bastante bem, mas o dia me mostrou que não era bem assim. Talvez fosse efeito da overdose de soro que tomei no hospital antes de vir que me fez ficar com muita energia. Busquei minha mãe no aeroporto, após uma bela noite de sono. O vôo dela chegou adiantado e, por isso, pudemos ir tranquilamente para o Concertgebouw para assistirmos o concerto da Filarmônica de Berlim. Chegamos com uma hora de antecedência e pegamos os ingressos e paramos num café para comermos algo. Pedi um sanduíche de carne, bastante simples e leve, mas que não me caiu bem, a partir da seunda parte do concerto. O médico havia dito que eu não tinha nenhuma restrição alimentar, mas esse não era o caso. Hoje estou numa dieta de maçãs e biscoitos água e sal, pra ver se me recupero de vez, porque a tentação é grande. Os supermercados daqui são fantásticos com diversas coisas deliciosas, incluindo os chocolates Cotê d'Or cuja versão de supermercado eu nunca vi em nenhum outro lugar do mundo. Comprei uma barra só pra servir de incentivo pra eu melhorar. Tomara que isso aconteça logo, porque amanhã vamos para a Bélgica.
O meu ritmo aqui, desse modo, tem sido mais devagar do que sempre, porque não tenho energia pra ficar o dia inteiro fora, sem poder comer direito. Por isso, ficar num hotel Ibis, como vamos fazer provavelmente no resto da jornada tem sido uma boa idéia, já que fico parte subtancial do dia dentro do quarto. O clima não ajuda muito, porque tá uma chuva bem chata e um frio que incomoda, principalmente pelo vento. Ontem depois do concerto voltamos caminhando para a estação de trem, cruzando o centro turístico e parando em alguns poucos lugares. Antes de irmos embora vamos ter a oportunidade de voltar pra mais uma caminhada pela cidade, espero que com uma saúde melhor. Hoje fomos para o festival de flores da Holanda que ficava numa cidadezinha a 45 minutos ao norte de Amsterdam. É impressionante a variedade e o tamanho das tulipas que eles cultivam aqui, mesmo no inverno. Foi bem legal e bonito, mas depois de passar o fim da manhã e boa parte da tarde fora, precisava voltar para o hotel para descansar. Acho que, pelo menos nos primeiros dias de viagem pela Bélgica, o ritmo vai ser meio reduzido. Espero melhorar pra poder me abastecer de mariscos, batatas fritas e trapistas, que custam por volta de 2 euros (no Brasil, nunca é menos de 20 reais, quando a gente encontra). Se eu não melhorar, vou comprar ingrdientes e livros de receitas, pra que os cozinheiros de plantão, incluindo o Pit, que parece estar bastante dedicado no seu ofício, possam replicar tudo o que eu passar vontade aqui.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Finalmente em Amsterdam!

Cheguei hoje em Amsterdam, depois de uma longa jornada desde a Índia. É estranho pensar que três dias atrás saí de Jaipur com destino a Delhi, peguei o avião para Moscou, depois para St. Petersburg, parei por uma noite lá e cá estou em Amsterdam. É impressionante, não?

Mas não foi tão simples assim... Some a isso a alguma comida indiana condimentada, que resulta numa intoxicação e disenteria seguida de infecção e uma noite no hospital tomando soro e antibióticos. Não foi uma viagem fácil, mas estou me recuperando bem e vou poder descansar um pouco aqui antes de seguir viagem para outros lugares aqui na Holanda e na Bélgica.

As viagens de avião de Delhi para Moscou e para St. Pete foram bem sofridas, porque eu não estava me sentindo nada bem e não conseguia comer, o que resultou numa fraqueza enorme, de modo que carregar minha mochila foi uma tarefa dificílima. Ainda teve um belo atraso de uma hora e meia no primeiro voo, que já era no ridículo horário das 4h55 da manhã. O que significa que eu tive que sair do hotel de Delhi uma da manhã, ou seja, sem poder dormir direito. Quando cheguei em Moscou tive que remarcar minha passagem pois tinha perdido a conexão. Todo o dinheiro russo que eu tinha reservado para comprar souvenirs nesse último dia que teria foram para pagar taxis, porque eu não tinha condições de andar de ônibus e de metro. Logo que eu cheguei no hostel, liguei o mais rápido que pude para o seguro para agendar uma consulta. O seguro, apesar de um pouco burocrático na ligação, foi bem eficiente e me mandou para um hospital ótimo e internacional, onde a maioria das pessoas falava inglês. Quando apresentei os meus sintomas para o médico ele logo recomendou que eu ficasse internado para observação e para realização de exames por uma noite. Eu aceitei, porque sabia que precisava de, no mínimo, tomar um pouco de soro, porque estava muito, muito fraco. O que foi bom era o hospital que era excelente, sem cara de hospital, parecendo um hotel dos bons, melhor do que eu fico nas viagens por aí (na verdade, estou no Ibis de Amsterdam agora e o quarto do hospital era bem maior, além do fator preço, que o seguro bancou tudo). Depois de muitas coisas colocadas na minha veia e algumas boas horas de sono, me sentia bem melhor e o médico me liberou para seguir viagem. Estou me arriscando a comer algumas coisas agora para que eu vá acostumando aos poucos, ao mesmo tempo em que tomo os remédios indicados pelo médico. Coisas de viagem, que acho que não vai ser a última vez que vai acontecer, principalmente quando se arrisca pratos locais... À propósito, um dia antes de ir embora de Jaipur eu comi na janta curry de cérebro de cordeiro, que estava tão bom e não acho que tenha sido a causa dos meus problemas...

Toda minha programação para St. Pete foi por água abaixo com isso. Não deu pra me despedir dos meus amigos, nem para organizar melhor a viagem para aqui. A passagem acabou sendo despachada junto com a mala grande, o que parecia não ser um problema, já que tudo está registrado eletronicamente nos computadores. Foi tudo bem na viagem até chegar no aeroporto e passar pela imigração. Eles me pediram a passagem e não estava comigo, eles me pediram a reserva do hotel e não tive tempo de imprimi-lá, olharam para minha cara, com a barba por fazer e uma mochila bem grande e encaixaram no estereótipo de um imigrante ilegal. Tive que ir até uma salinha da polícia, abrir meu e-mail, mostrar minhas passagens, a reserva do hotel, responder a um questionário que o policial fazia várias vezes as mesmas perguntas, pra saber se eu estava mentindo e ainda mostrar meu dinheiro. Depois de uma meia hora recebi meu carimbo e pude vir para o hotel. Eu perdi o concerto da Filarmônica de Berlim que eu já tinha comprado a alguns meses, mas eu já sabia que isso seria bem provável, porque não deu pra alterar a data do meu vôo. Ainda bem que vai ter outro amanhã, com outro programa, mas tomara que seja igualmente bom. Minha mãe chega amanhã também e, assim, vou ter companhia pelo resto do fim da viagem.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Na India

Ola a todos!
Tudo certo aqui na India, tava um pouco dificil de encontra tempo e internet pra poder colocar coisas aqui e ja esta quase na hora de ir embora, mas antes tarde do que nunca. Estamos em Jaipur, uma cidade em Rajasthan, onde acabamos de chegar depois de um dia bem corrido de viagens. Chegei em Delhi na sexta feira bem cedinho (5 da manha) e tive dois dias para conhecer a cidade, suas principais atracoes e descansar um pouco. A viagem tem sido bem corrida, mas mesmo assim ta dando pra aproveitar bem. Ontem, domingo, estivemos em Agra, cidade do Taj Mahal, que e bem impressionante ao vivo. Hoje de manha fomos a uma cidade perto de Agra chamada Fatehpur Sikri, onde tem uma especie de castelo bem bonito. Viajamos bastante, mas depois conto melhor como foi isso. Vao ser duas noites aqui em Jaipur e depois voltar para Delhi para eu ir embora e a Carol continuar a aventura para Varanasi.
Nao da pra descrever tudo o que acontece aqui na India, porque sao muitas coisas diferentes e exoticas ao mesmo tempo, mas que ao mesmo tempo parecem bem familiares para nos brasileiros. O que me impressionou de estranho foi o transto caotico das cidades, onde nao existem regras, como contramao ou conversoes proibidas. Pode-se fazer tudo. Ainda bem que eles andam bem devagar, se nao seria bem perigoso. A comida nao me decepicionou de maneira nenhuma. E muito boa e muito variada. Existem tantas variedades diferentes, tantas combinacoes de especiarias que acho que se precisa de mais de um ano e uma bela viagem para se experimentar de tudo, afinal as variacoes sao bem regionais tambem. A Carol queria me mostrar as comidas de Hyderabad, mas por essas regioes mais ao norte nao e possivel encontra-las. Acho que nao e tao facil encontrar acaraje em Sao Paulo e chimarrao na Amazonia tambem, nao?
Na quinta de manha volto pro frio, mas no dia seguinte ja embarco pra Holanda pra continuar a viagem num destino completamente diferente.
Comentem aqui pra eu saber que as pessoas estao lendo e eu continuar escrevendo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Istambul 3, bye-bye St. Pete e Índia

Amanhã no começo da tarde saio de St. Peteresburg, com destino a Delhi, na Índia, fazendo uma escala em Moscou. Vai ser muito bom reencontrar a Carol de novo, além do sol, como já disse. Vou colocar mais algumas fotos de Istambul pra completar o relato sobre aquela viagem.

Pra esquentar (ou esfriar), umas fotos do fim janeiro em St. Pete


Esfinge egípicia comprada por algum czar maluco, pra congelar



O rio Neva. O detalhe é essa pequena poça, onde as pessoas nadam no inverno numa comemoração que tem



Só no meio dele tem um pouco de água líquida



O sol nas ruas da Turquia



Entrada do palácio do sultão



Os jardins



A residência dele que tem vista para o mar



Aqui é no harém, onde as mulheres deles ficavam



Também no harém



Essa é a Blue Mosque, uma mesquita bem grande que fica na praça central



Um detalhe mais de perto



Aqui é a Hagia Sophia, que já foi o centro do império romano, mas foi um pouco transfigurada pelos árabes



Um dos mosaicos que tem lá dentro



Outro mosaico



A muralha de Constantinopla



Cruzeiro pelo Bósforo



Detalhe do barco



Ponte que liga o oriente ao ocidente, a Ásia à Europa



No fundo, é o começo do mar negro



Os kebabs turcos podem ser bons, mas os sanduíches de peixe são muito bons também

Bom, é isso por enquanto. Tomara que eu também tenha ótimas fotos da Índia!



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vídeo do Winter Camp

O pessoal do acampamento de Kostroma memandou o vídeo que elesfizeram sobre a semana que passei por lá. É bem legal relembrar os bons momentos, masum pouco estranho ver meu depoimento... Confiram e me digam o que acham!

http://www.youtube.com/watch?v=BkpZiSAkGe4

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Últimos dias em St. Pete


Faz um bom tempo que eu não escrevo, mas por preguiça do que por estar muito ocupado. Voltou a ficar bem frio, por volta de -20 de novo, depois de alguns dias de alívio, com a temperatura por volta de zero grau. É bem estranho o tempo aqui, porque quando a gente acorda e vê o sol brilhando, significa que está muito frio. Dias nublados são mais amenos, mas em compensação possuem maior probabilidade de neve. As pessoas que eu conheci por aqui também estão, aos poucos, indo embora, mas eu também já me vou. Estou um pouco cansado da cidade e da vida aqui, não sei exatamente porque, mas não estava muito motivado com o trabalho, que apresentou alguns problemas ultimamente, e talvez por não estar muito confortável por aqui. Morar num hostel é bom por algum tempo, mas chega uma hora que cansa. É estranho não ter um canto seu, em que você pode ficar confortável e tranquilo. O problema ainda é maior porque eu não tenho algo como uma biblioteca ou uma universidade para ir e estudar, ou usar o computador em paz. Por isso, nos últimos dias, sou um assíduo frequentador de cafés, indo todos os dias pelo menos uma vez pra ficar lendo ou só descansando. Aqui a cultura de cafés é bem difundida, havendo vários por todas as ruas e sempre com muitas pessoas se esquentando. Mas minha principal ocupação nas últimas duas semanas tem sido frequentar teatros e apresentações musicais, que é o que eu gosto de fazer pra passar o tempo. Tive companhia algumas vezes, fui sozinho em outras, mas é estranho não ter com quem conversar e discutir sobre as impressões sobre as performances. Eu fui a três ballets e a dois concertos desde sábado passado. A trilogia do Tchaikovski (A Bela Adormecida, O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes) foi muito boa, diferente do que eu esperava em alguns sentidos, mas me impressionou em outros. Eu achava que ballets eram muito mais entediantes, mas não são. Pelo menos aqui, num dos teatros mais tradicionais do mundo, onde esses ballets foram estreados, ou pelo menos executados com a presença do compositor, as produções são muito bem produzidas. Os cenários, os figurinos, a música e a dança são muito bons. Na verdade eu não entendo de dança, por isso não sei se era realmente bom, ou se foi só minha impressão, mas foi bem divertido. Eu achava que O Quebra-Nozes seria o mais legal, mas não foi isso que eu achei, porque tem bem pouca dança e a estória não é tão divertida, como os outros dois. O Lago dos Cisnes foi o meu preferido, principalmente depois de ter assistido ao filme O Cisne Negro, que está nos cinemas agora e eu recomendo fortemente.
Quanto aos concertos, foram dois: o primeiro somente de um cravista russo, tocando as Variações Goldberg de Bach, que são belíssimas; e segundo da Filarmônica de São Petersburgo tocando uma peça do Luigi Nono chamada Il Canto Sospeso, que é difícil de se entender, porém com ideias bem interessantes (esse compositor tem um mote que ele usou no fim da vida que eu achei genial: “Caminantes, no hay camino, hay que caminar”) e a sétima sinfonia de Beethoven. O recital de cravo foi muito bom porque eu gosto muito dessa peça. Uma menina de Taiwan que mora no mesmo hostel estava lá, mas não gostou muito, por achar entediante, já que a execução dura mais de uma hora. O concerto da orquestra foi muito bom também, porque combinou uma peça extremamente de vanguarda, com uma compreensibilidade bem difícil a primeira audição, baseada no serialismo integral da escola de Darmstadt, que eu estudei ano passado num curso sobre Filosofia da Música; com uma das sinfonias mais felizes e divertidas de Beethoven. A sala da filarmônica é muito bonita e tem muita história também, sendo, talvez, a mais antiga que eu já visitei. Todos os compositores russos mais importantes, como Tchaikovski e Stravinsky, além de vários outros, como Mahler e Richard Strauss, executaram suas peças ali. Essa sala é que aparece no documentário sobre o Nelson Freire, onde ele ensaia o Concerto nº2 de Brahms.
Fora essas atividades, não tenho feito muito turismo, porque cansei disso um pouco. Na verdade, terminei o Hermitage alguns dias atrás, na minha terceira visita ao museu gigantesco. Tem muitas igrejas e museus para visitar, mas não estou com muita vontade de fazer isso. O trabalho me ocupou vários dias durante essas semanas, mas não foi muito bom, porque não estava muito motivado mais. Um dos motivos para isso foi que estava começando a ficar muito repetitivo, já que teve algumas aulas que eu dei 12 vezes e que as coisas não estavam indo muito bem. O pessoal do meu projeto estava ocupado com outras coisas e ocorreram alguns problemas, sendo que um foi bastante inconveniente para mim. Na segunda-feira passada eu fui esquiar numa pista que tem aqui perto e foi bem divertido porque, apesar de a última vez ter sido ainda na Suíça, eu estou ficando bastante bom, não tendo caído nenhuma vez, ao contrário dos principiantes que foram comigo. No caminho pra estação, que levou mais de uma hora, recebi uma ligação da coordenadora de uma das escolas que ficou reclamando de diversas coisas para mim, sendo que quem deveria ter ouvido isso era o pessoal da Aiesec que estava em Moscou numa conferência, onde o telefone não funcionava. Ela foi um pouco grossa e reclamou com a pessoa errada, já que eu fui o único que não faltei nenhuma vez e cumpri com todos os compromissos. Fiquei bem desmotivado, mas continuei os últimos dias de trabalho e ainda estou trabalhando essa semana, não mais dando aulas, mas instruindo os novos trainees que vão continuar com o projeto. Eles também são um pouco displicentes, não tendo ido para o trabalho hoje e me deixando esperando na estação por uma hora, mas não tenho o que fazer. Não vou ficar cobrando gente crescida a cumprir com suas obrigações. Não vim aqui para isso.
Nos próximos três dias, meus últimos aqui, vou terminar esse trabalho, acompanhar meus amigos que partem para o aeroporto, comprar souvenirs, comer em bons restaurantes, coisa que não fiz muito bem ainda e planejar o resto da viagem. Uma coisa que eu fiquei bem feliz de ter feito hoje foi ter comprado uma câmera soviética (http://www.sovietcams.com/index.php?-1170803771, é a terceira foto) ainda de filme, mas muito legal, que vou usar pra usar no resto da viagem. Eu planejava levar caviar para o Brasil, mas não é possível porque ele tem que ficar refrigerado o tempo todo e é caro o suficiente para me desencorajar a correr o risco. Mesmo comer caviar aqui acho que vai ficar para a próxima vez, porque não cabe no meu orçamento (a degustação dos três tipos de caviar, em pequena quantidade, cerca de 15 gramas de cada, custa cerca de 200 dólares). Então acho que vou comer os peixes já nascidos e crescidos e outros pratos russos, que vão sair mais em conta e talvez sejam mais apetitosos.
A viagem para a Índia está quase chegando e estou um pouco ansioso pelo calor e pela companhia, já que estou um pouco solitário aqui, principalmente porque hoje é Valentine’s Day e que a previsão para amanhã é de -27. Já reservei um hotel para a primeira noite em Delhi e assim que a gente chegar lá a gente vai decidir o que a gente vai fazer pelo resto da semana. Vamos ver qual vai ser a minha impressão da Índia.